27/07/2017

Seminário discute desafios da Enfermagem no campo da saúde mental

Evento foi promovido pelo GT de Saúde Mental do Coren-BA

O Grupo de Trabalho em Saúde Mental (GT/Saúde Mental) do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) promoveu, nesta quinta-feira (27), um Seminário voltado para trabalhadoras e trabalhadores da Enfermagem na Saúde Mental. Com o tema “Enfermagem e Saúde Mental: o desvelar de práticas em novos caminhos”, o evento teve como objetivo discutir os “fazeres” da Enfermagem, seus principais desafios e potencialidades e problematizar a inserção das trabalhadoras nas equipes multiprofissionais da atenção psicossocial. O Seminário aconteceu na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e lotou o Auditório Externo da Escola de Enfermagem.

Enfermeiros especialistas em Saúde Mental orientaram as discussões.

Compuseram a mesa de abertura Ana Carolina Ventura, enfermeira especialista em Saúde Mental e membro do Grupo de Trabalho de Saúde Mental do Coren-BA, representando a presidente do Coren-BA, Maria Luísa de Castro Almeida; Maria Enoy Neves Gusmão, vice-diretora da Escola de Enfermagem da UFBA; Gustavo Menezes, enfermeiro especialista em Saúde Mental, membro do GT de Saúde Mental e apoiador de Saúde Mental do Distrito Sanitário do Centro Histórico, representando a Secretaria Municipal de Saúde; Luciana Santos Chaves, enfermeira e sub-coordenadora da Coordenação de Políticas Transversais da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Segundo Laís Chagas de Carvalho, professora da Escola de Enfermagem da UFBA e membro do GT de Saúde Metal, a política de saúde mental no Brasil já tem um tempo instituída, no entanto, há pouco debate em relação à categoria da Enfermagem, que é uma categoria que se constituiu a partir de um modelo psiquiátrico muito voltado para a assistência hospitalar. “Com a política de saúde mental, o modelo assistencial se transforma e passa, então, a ter um atendimento muito mais territorializado, no entanto, a gente tem percebido que existe ainda uma dificuldade muito grande dos profissionais de compreender suas práticas a partir desse novo modelo. Diante desse contexto, o Coren Bahia instituiu um espaço de debate em relação ao campo da saúde mental, criando o GT e promovendo este Seminário que tem a intenção de se aproximar da categoria, ouvir suas demandas e entender como tem se dado essa prática assistencial”, afirmou Laís.

A enfermeira e professora de Saúde Mental da Universidade Federal de Pelotas, Luciane Kantorski, proferiu a conferência “Os desafios do trabalho em Enfermagem na saúde mental” que tratou sobre o processo de trabalho da Enfermagem na saúde mental, diante das mudanças que vem acontecendo desde a década de 80 e que redirecionaram as práticas da saúde mental de uma atenção manicomial para uma atenção comunitária.

O Seminário lotou o Auditório Externo da Escola de Enfermagem da UFBA.

“No processo da desinstitucionalização, houve importantes rupturas: o enfermeiro sai de um lugar fechado para um espaço comunitário, de um trabalho individual para um trabalho coletivo, a atenção deixa de se voltar para a doença e se volta para o sujeito e são inúmeros os desafios para a profissão nesse processo”, afirmou a professora. Luciene trouxe para a discussão com o público o trabalho coletivo que é desenvolvido pelas equipes interdisciplinares na saúde mental, a inserção estratégica da enfermagem nessas equipes, seu olhar e suas especificidades.

No período da tarde, o formato do evento foi diferente do aplicado pela manhã. Ao invés de palestras, os profissionais presentes ao Seminário se dividiram em três rodas de conversa, de acordo com seu interesse, para uma discussão colaborativa e mais participativa. Os temas das rodas foram: Fazeres de Enfermagem na Clínica Psicossocial, Desafios e Potencialidades da Atuação das Trabalhadoras de Enfermagem na RAPS e Inserção das Trabalhadoras de Enfermagem nas Equipes Multiprofissionais.