07/03/2018

Salvador terá Marcha das Mulheres

A enfermeira Lilian Barbosa participa da organização da manifestação.
  • Para marcar a data do dia 8 de março, a enfermeira Lilian Barbosa Marinho juntamente com outras mulheres do movimento 8M Salvador, farão uma manifestação que tem como tema principal “Mulheres, resistir e transformar”. A concentração será na Praça da Piedade, às 13h, em Salvador e conta com a adesão de movimentos sociais, sindicais, partidários e grupos culturais.

Segundo a enfermeira, a marcha tem como objetivo a divulgação de diversas pautas à sociedade e traz como ponto específico, a violência contra as mulheres, com ênfase no feminicídio. “Estamos articuladas ao movimento nacional, internacional e também ao Fórum Social Mundial 2018, que pela primeira vez ocorrerá em Salvador, dessa forma fortaleceremos a luta das mulheres a nível global”, comentou.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio no mundo. A cada 100 mil mulheres, cinco são assassinadas. As mulheres negras são ainda mais violentadas: o Atlas da Violência no Brasil, em 2015, revelou o aumento em 22% da morte de mulheres negras, enquanto entre mulheres brancas reduziu em 10%. Segundo a ONU, as mulheres são as principais vítimas de violência praticadas contra as comunidades indígenas no mundo, sendo que a cada três mulheres indígenas pelo menos uma é estuprada ao longo da vida. O país também lidera o ranking de assassinatos de travestis e transexuais.  Em 2017 foram 127 casos, ou seja, um a cada três dias.

Lilian também faz parte da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, uma articulação de militantes no campo da saúde que foi criada há quase três décadas com intuito de propor e ampliar melhorias para a saúde das mulheres com temáticas pouco tratadas na formação de profissionais de saúde. “Precisamos formar profissionais e fiscalizar o exercício profissional pensando também na perspectiva dos direitos à saúde e dos Direitos Humanos”, destacou.

A enfermeira, doutora em Saúde Pública na área de Epidemiologia, trabalha atualmente como docente na Universidade do Estado da Bahia, e entende que a categoria poderia ser mais unida em prol das lutas no campo da enfermagem. “Somos uma categoria majoritariamente feminina e, em tese, poderíamos estar de maneira articulada nas ruas, com nossas pautas específicas, por isso reforço o convite às trabalhadoras da enfermagem a participarem da manifestação no dia Internacional da Mulher”, convocou.