04/12/2013

Historiadora defende: “Enfermagem tem campo vasto para pesquisa”

A presidente do Coren-BA, Maria Luísa de Castro Almeida, coordenou uma mesa de discussão com o tema “Enfermagem: Trajetória histórica de uma profissão” durante o II Seminário de História da Enfermagem, realizado nessa terça (03) pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em parceria com Museu Nacional de Enfermagem Anna Nery (MuNEAN), no hotel Pestana, em Salvador. A presidente abriu o debate ressaltando a importância de se conhecer a história da enfermagem. “É muito importante conhecermos a história da profissão, pois é ela que nos apontará os caminhos para darmos seguimento a essa trajetória”.

A historiadora e professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Lina Maria Brandão Aras, foi a debatedora convidada e disse que a enfermagem está inserida na história da humanidade e tem caráter interdisciplinar, podendo interagir facilmente com outros campos do conhecimento, como a sociologia. A pesquisadora traçou um panorama histórico da enfermagem e destacou como marco legal a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, quando a área passou a ser reconhecida como um “campo de atuação profissional regulamentado”, colocando-se no mesmo patamar de outras profissões. “Antes disso qualquer pessoa que desenvolvesse alguma prática ligada ao cuidado da pessoa humana era associada a um enfermeiro”, disse.

Lina e Luisa

A “chamada feminização da profissão” também foi citada por Lina ao lembrar o ingresso das irmãs de caridade nas instituições de saúde e a busca de algumas mulheres do início do século 20 por uma profissão com perfil considerado caracteristicamente feminino. “Elas buscavam uma função que atendessem a um perfil social aceitável para a época, diferente do que se vê hoje, quando há um movimento de resistência, de não aceitação de um lugar comum”, avaliou. Segundo a professora, já no século 21, a enfermagem dá um salto evolutivo, acompanhando o próprio desenvolvimento da humanidade do ponto de vista tecnológico e de mercado de trabalho.

Campo de pesquisa – Lina defende que a enfermagem é um campo vasto para o desenvolvimento de pesquisas. Muitos temas, segundo a historiadora, podem ser recuperados através da própria história oral, dos arquivos das escolas, memórias institucionais, da história da arquitetura hospitalar – para entender melhor a ocupação do espaço da enfermagem nas unidades de saúde – e da análise das diretorias das instituições de ensino. “Quem são essas pessoas que vem formando tantos profissionais?”, questionou.

A presidente Maria Luísa abriu para participação do plenário e a conselheira do Coren-BA, enfermeira Nair Fábio, lembrou que não se pode falar da história da enfermagem sem reconhecer o trabalho da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e das demais entidades representativas de classe, importantes para regulamentação e valorização da profissão. Nair salientou também que é preciso que haja mais pesquisas sobre a enfermagem com o viés do trabalho. “Não podemos esquecer que somos trabalhadores e trabalhadoras”. A professora da Escola de Enfermagem da Ufba, Silvia Lúcia, também interveio e falou do trabalho desenvolvido por um grupo de estudo da EEUFBA sobre a história da enfermagem baiana que, segundo ela, é referenciada em todo país.

plenario