15/05/2017

Grupo de Trabalho promoveu seu I Seminário Enfermagem em Cuidados Paliativos

O Seminário reuniu profissionais de enfermagem da Bahia e discutiu a qualidade de vida como foco do cuidado

Para Rudval Souza, qualidade de vida é sinônimo de cuidados paliativos.

“Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento”, diz a canção de Gal Costa citada pelo professor Rudval Souza na palestra de abertura do Seminário Enfermagem em Cuidados Paliativos, na manhã do dia 12 de maio. Rudval, no momento em que citou esse verso, falava sobre o alívio do sofrimento do doente, sobre o controle de sua dor física, emocional e espiritual, o conforto e o atendimento de desejos desse paciente e sobre a possibilidade de não apagar belezas no caminho natural que nos leva até a morte. O Seminário aconteceu no Hospital Aliança, e foi promovido pelo Grupo de Trabalho (GT) em Cuidados Paliativos do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA).

O evento, que reuniu profissionais de enfermagem e marcou as atividades do recém criado GT em Cuidados Paliativos do Coren-BA, teve como objetivo fortalecer e estimular as práticas paliativas na comunidade da enfermagem em Salvador. Nos últimos anos, o movimento paliativista tem crescido no mundo todo e com o envelhecimento da população é cada vez mais necessário discutir e pensar o conforto, o cuidado e a qualidade de vida de pessoas com a saúde comprometida e em situação de fragilidade. A Organização Mundial de Saúde definiu os cuidados paliativos como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Para tanto, é necessário avaliar e controlar de forma impecável não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.

Para Rudval, a morte deve deixar de ser encarada como um tabu. Ele explica que muitas pessoas se sentem incomodadas em falar sobre a morte, quando, na verdade, deveriam encará-la com naturalidade e leveza, pois morrer faz parte do ciclo da vida e é um acontecimento tão importante quanto nascer. “Como eu quero morrer? Devemos nos fazer esse questionamento, enquanto profissionais, pois a forma como eu penso e encaro a morte para mim irá interferir na forma como eu vou cuidar do meu paciente em terminalidade”, afirmou Rudval em sua palestra. Encarar a morte com sensibilidade e leveza é fundamental para o profissional de cuidados paliativos, já que seu trabalho visa aumentar o conforto, a qualidade de vida do paciente, aliviar seu sofrimento e minimizar sua tristeza, mesmo quando não há mais o que fazer para evitar a morte.

As competências da equipe de enfermagem foi tema da palestra de Juliana Amaral

Juliana Amaral, professora da Universidade Federal da Bahia, dividiu a mesa com Rudval e discutiu as principais competências que os profissionais de enfermagem devem ter nos cuidados paliativos. Essas competências são um conjunto de conhecimento, habilidades e atitudes que orientam a conduta dos profissionais ao paliar, são elas: cuidado à pessoa e à família; manejo dos sinais e sintomas; perda, luto e apoio ao falecimento; equipe interprofissional/colaborativa e educação. Juliana trouxe ainda a comunicação, a ética e os direitos humanos como competências transversais que perpassam todas as outras.

“É possível oferecer cuidados paliativos na atenção primária!”, disse Carla Mazuko.

Carla Mazuko, enfermeira de uma unidade de saúde da família no Rio Grande Sul e coordenadora do projeto Estar ao Seu Lado, compartilhou suas experiências em cuidados paliativos na atenção primária. Ela afirmou que não existem muitas unidades de atenção primária realizando esse tipo de trabalho e que os cuidados paliativos são mais comuns no ambiente hospitalar, no entanto, ela vê a necessidade de multiplicar essa ideia para que o paciente seja enxergado e cuidado lá na ponta (na atenção básica), onde ele passa a maior parte do tempo. Carla falou sobre as dificuldades que enfrenta em realizar cuidados paliativos na atenção primária, inclusive, para conseguir medicamentos para alívio da dor do paciente, como a morfina.

As várias palestras que aconteceram na manhã e tarde de sexta, exploraram temas como os cuidados paliativos no atendimento domiciliar, no hospital, a desospitalização e as perspectivas de cada área profissional que compõe a equipe multidisciplinar nos cuidados paliativos.

A Diretora Assistencial do Hospital Aliança, Clezia Rios, afirmou estar feliz em receber um evento como esse no auditório do hospital que contribui tanto para o aperfeiçoamento dos profissionais do Aliança, quanto da comunidade de enfermagem da Bahia. “Esse é um tema que a gente já discute há quatro anos aqui no hospital, temos uma equipe multidisciplinar muito atuante funcionando aqui na instituição, formada por toda a cadeia da assistência. Eu acho muito importante que tenhamos profissionais capacitados para lidar com esse momento tão delicado que é a morte, um momento que tem que ser sublime e suave, conduzido e apoiado por um equipe capacitada”, afirmou Clezia Rios.