25/11/2013

Enfermeira Mara Blanck fala sobre úlcera de perna em portadores de doença falciforme

O tratamento de úlceras de perna nos casos de portadores de Doença Falciforme foi tema do VII Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme, no Centro de Convenções da Bahia, entre os dias 20 e 23 de novembro. A apresentação do tema ficou a cargo da enfermeira Mara Blanck, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas e Estétia (SobenfeE), que iniciou a palestra comemorando a iniciativa de colocar o assunto em debate. “Fico muito feliz em ver este assunto sendo tratado aqui, porque eu vejo todos os simpósios discutirem tantos temas, mas nunca das úlceras de perna”, destacou.

_DSC3798_MARA BLANCK (4)Mara Blanck fez questão de iniciar sua palestra falando do contexto do portador de doença falciforme que apresenta úlcera de perna. Para ela, o cuidado de feridas tem relação direta com diversos conceitos, como liberdade, lazer, diálogo e bem-estar. “A ferida tira o paciente de seu lazer, e a família é o alicerce deste cuidado. Não adianta cuidar do portador de feridas sem dialogar. Ele precisa compreender a sua corresponsabilidade no tratamento”, explicou. Para ela, é fundamental que o profissional de enfermagem entenda os conceitos técnicos e científicos que envolvem o assunto: “Não dá para cuidar de feridas sem entender da fisiopatologia”.

Ao analisar uma úlcera de perna, a enfermeira explica que é importante visualizar o problema como um todo: “A área perilesional é tão importante quanto o miolo da ferida”. Segundo Mara Blanck, entre 8% e 10% dos pacientes com anemia falciforme, com idades entre 10 e 50 anos, desenvolvem úlceras. Ela conta que esta é uma complicação comum da doença e que todas as questões abordadas na etiologia afetam o processo imunológico da cicatrização, havendo várias citocinas produzidas durante o processo de cicatrização que interferem diretamente na permeabilidade vascular.

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De acordo com Mara Black, as citocinas são importantes para o controle da resposta imune e podem produzir respostas distintas, como: estimulação de macrófagos; quimiotaxia; estimulação e diferenciação celular; ativação de macrófagos; dentre outras. Nas  úlceras de pernas nos portadores de DF, a enfermeira destaca que é uma ferida crônica e complexa, que não cicatriza tão facilmente como as feridas agudas e que há uma redução na produção de colágeno.  “É importante avaliar os pontos principais, para definir o melhor tratamento”, ressalta.

Para o tratamento das feridas, ela explica que primeiro é preciso tratar a parte preta, por meio do desbridamento. Em seguida, tratar a amarela, com uma boa limpeza e a escolha do desbridamento. E, por fim, tratar a parte vermelha, protegendo o tecido novo para não sangrar. Mara Blanck fez ainda uma breve explanação sobre os principais produtos utilizados no tratamento de feridas e suas indicações, destacando a importância da nanotecnologia. “Veículos novos gerados a partir da nanotecnologia podem possibilitar que uma determinada substância penetre a camada subcutânea da pele”, ressaltou.