12/04/2019

A valorização da enfermagem obstétrica e os desafios da área

Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde aprovou proposta do Conselho Internacional de Enfermagem (CIE) e da campanha Nursing Now (“Enfermage ...

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Neste 12 de abril, dia Nacional da Enfermagem Obstétrica, o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) presta homenagem as mais de 800 enfermeiras obstetras registradas na autarquia que dedicam  parte de suas histórias à assistência às mulheres de todo o estado baiano.

Com atuação respaldada pela lei do exercício profissional (nº 7.498/86), a especialidade tem se destacado nas últimas décadas devido aos incentivos e ações fomentados por políticas públicas, segundo o ponto de vista dos membros da Câmara Técnica de Atenção à Saúde da Mulher (CTASM) do Coren-BA.

O estimulo à formação de enfermeiras obstetras, pelo Ministério da Saúde, aumentou nos anos 90 em função da necessidade de mudança dos indicadores de saúde da mulher no Brasil, que demonstravam o aumento expressivo de intervenções, cesarianas e o próprio desfecho de mortes maternas e neonatais.

A criação do Programa de Assistência Integral à Saúde Mulher (PAISM), o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), o pacto pela redução da mortalidade materna e a rede cegonha são referências que apontam para a importância da autonomia da mulher e a valorização de outros profissionais no cenário de parto.

“Com a presença da enfermeira obstetra nestes ambientes temos ótimos índices, então o destaque vem do incentivo, das ações, mas acima de tudo da postura de colegas em suas atividades”, comentaram os membros da CTASM.

Em 2018, a especialidade ganhou ainda mais notoriedade com o nascimento do terceiro filho da duquesa de Cambridge, Kate Middleton, que deixou a maternidade do Hospital St Mary, em Londres, apenas sete horas após o nascimento da criança.

As mulheres atendidas pelo sistema público inglês normalmente têm o acompanhamento de enfermeiras obstetras no parto normal de baixo risco. Após o nascimento, recebem visitas dos profissionais em casa, para avaliar aspectos como a amamentação e o estado geral de saúde da mãe e do bebê.

Em fevereiro deste ano, o Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde aprovou, em sua 144ª reunião, em Genebra, proposta do Conselho Internacional de Enfermagem (CIE) e da campanha Nursing Now (“Enfermagem Agora”) para designar 2020 como ano das enfermeiras obstetras e parteiras (“midwives”, ou obstetrizes). A indicação será levada à Assembleia Mundial de Saúde, em maio, para deliberação.

Coren-BA – A Câmara Técnica de Atenção à Saúde da Mulher (CTASM) é coordenada pela enfermeira obstetra Rita Calfa e pelas(os) enfermeiras(os) especialistas Keury Thaisana Rodrigues dos Santos Lima, Nadja Alves Carneiro e Thiago Fiel dos Santos que juntos fortalecem a Enfermagem Obstétrica com ações direcionadas para o atendimento seguro à mulher.

“Temos trabalhado com orientações, respostas técnicas com responsáveis técnicas de unidades, visitas para orientação, cursos para profissionais, apoio a fiscalização, etc”, comentou Rita Calfa.

Mesmo com resultados positivos, os profissionais que atuam no âmbito da Enfermagem Obstétrica ainda enfrentam desafios, principalmente com o desconhecimento por parte da população sobre a atuação das enfermeiras(os) neste setor.

“A legislação garante o nosso papel na assistência direta ao parto, consulta de pré-natal, inserção de DIU, a avaliação obstétrica, o uso de medicamentos dispostos em protocolos entre outros, portanto, não são competências exclusivas de uma única categoria profissional”, destacou a CTASM.

As enfermeiras obstetras e obstetrizes, especialistas em parto normal, têm autonomia profissional na assistência, conforme o artigo 9º do decreto 94.406/87.